Parcela de estrangeiros no Brasileirão é 5 vezes a de 2015, até 19/10
Eram 5,6% dos lugares de titular em 2015 e são 28,6% até 19 de outubro de 2026. Veja os clubes, o limite da CBF e a Europa lado a lado.


No Brasileirão, o nome popular do Campeonato Brasileiro, quantos estrangeiros começam jogando? Para responder, contam-se os lugares de titular. São os 11 de cada time que começam a partida (os reservas ficam no banco). Quem começou 30 jogos entra 30 vezes, para pesar mais quem joga mais. Estrangeiro é quem, no cadastro da empresa que fornece os dados das partidas, tem nacionalidade diferente da brasileira, uma só por jogador.
Nessa conta, 5,6% dos lugares de titular do Brasileirão eram de estrangeiros em 2015. Eram 450 de 8.016. Em 2026, até 19 de outubro, são 28,6%. São 1.938 de 6.770. A conta de 2026 cobre 309 dos 380 jogos do campeonato, que ainda não terminou. A parcela de estrangeiros, a fatia desses lugares, é 5 vezes a de 2015. Em média, pouco mais de 3 dos 11 titulares de cada time são estrangeiros. Em 2015, eram menos de 1.
Em 21 de setembro de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a entidade que organiza o Brasileirão, os clubes e as federações aprovaram baixar o limite de estrangeiros. Pelo plano, o limite por time e por jogo cai de 9 em 2026 para 5 em 2030. Ele vale para a súmula, a lista dos que podem jogar, titulares e reservas. A matéria descreve o limite, sem tomar partido.
A série do Brasileirão: parada de 2017 a 2021, em alta desde 2022
Em 2016, os estrangeiros ocupavam 7,8% dos lugares de titular. De 2017 a 2021, a parcela ficou quase parada, entre 8,7% e 10,6%. Em 2022, subiu para 13,5%. Em 2023, subiu para 19,4%. Os dados vêm do acervo do Soccer Addicted, o arquivo de partidas que o site guarda, com as escalações (a lista dos titulares de cada jogo) do Brasileirão de 2015 a 2024 e de 2026.
| Ano | Lugares de titular com nacionalidade no cadastro | Lugares de estrangeiros | Parcela de estrangeiros |
|---|---|---|---|
| 2015 | 8.016 | 450 | 5,6% |
| 2016 | 8.338 | 648 | 7,8% |
| 2017 | 8.360 | 875 | 10,5% |
| 2018 | 8.356 | 792 | 9,5% |
| 2019 | 8.358 | 882 | 10,6% |
| 2020 | 8.344 | 804 | 9,6% |
| 2021 | 8.360 | 725 | 8,7% |
| 2022 | 8.359 | 1.130 | 13,5% |
| 2023 | 8.360 | 1.619 | 19,4% |
| 2024 | 7.146 | 1.637 | perto de 23% (pelo menos 19,6%) |
| 2025 | - | - | sem escalação no acervo |
| 2026 (até 19/10) | 6.770 | 1.938 | 28,6% |
A tabela mostra o patamar até 2021 e a subida depois. Para 2024, ela traz perto de 23%, e pelo menos 19,6%. A faixa vem de 14,5% dos lugares que estão sem nacionalidade no cadastro e podem esconder estrangeiros. O arquivo não tem as escalações de 2025. Em 2015, 2,6% dos lugares também estão sem nacionalidade, e o número de 5,6% vale para os outros.
Quantos estrangeiros cada time põe em campo, e de onde eles vêm
A subida aparece também quando se olha cada time em cada jogo, com os onze titulares no cadastro. Em 2015, o time começava sem nenhum estrangeiro em 60,0% das vezes. Em 2026, até 19 de outubro, são só 5,6%. Por acaso, é o mesmo número da parcela de estrangeiros de 2015. Em 21,8% das vezes, o time começou com 5 ou mais. O máximo foi 8 estrangeiros entre os onze, no Athletico PR, em 25 de fevereiro de 2026. Em 2015, o máximo foi 4.
| Clube (2026, até 19/10) | Jogos | Lugares de estrangeiros | Lugares de titular com nacionalidade | Parcela de estrangeiros |
|---|---|---|---|---|
| Athletico PR | 31 | 160 | 337 | 47,5% |
| Palmeiras | 31 | 150 | 341 | 44,0% |
| Internacional | 31 | 149 | 340 | 43,8% |
| Grêmio | 31 | 144 | 340 | 42,4% |
| Flamengo | 31 | 137 | 341 | 40,2% |
| Fluminense | 31 | 126 | 341 | 37,0% |
| Vasco da Gama | 30 | 114 | 329 | 34,7% |
| Botafogo | 31 | 118 | 341 | 34,6% |
| Atlético Mineiro | 31 | 109 | 341 | 32,0% |
| São Paulo | 31 | 104 | 341 | 30,5% |
| Bahia | 31 | 101 | 341 | 29,6% |
| Santos | 31 | 89 | 341 | 26,1% |
| Bragantino | 31 | 84 | 341 | 24,6% |
| Coritiba | 31 | 77 | 338 | 22,8% |
| Cruzeiro | 31 | 74 | 331 | 22,4% |
| Corinthians | 31 | 69 | 341 | 20,2% |
| Remo | 31 | 49 | 341 | 14,4% |
| Vitória | 31 | 47 | 333 | 14,1% |
| Chapecoense | 30 | 28 | 330 | 8,5% |
| Mirassol | 31 | 9 | 341 | 2,6% |
Onze clubes ficam acima da média do campeonato, de 28,6% até 19 de outubro. O Athletico PR tem estrangeiros em 47,5% dos lugares de titular, e o Mirassol em 2,6%. A taxa do Athletico PR é cerca de 18 vezes a do Mirassol. Palmeiras e Internacional estão separados por 1 lugar de estrangeiro. A tabela seguinte mostra a nacionalidade dos estrangeiros, e não o país de nascimento.
| País da nacionalidade | Lugares de estrangeiros em 2015 | Parcela em 2015 | Lugares de estrangeiros em 2026 (até 19/10) | Parcela em 2026 (até 19/10) |
|---|---|---|---|---|
| Argentina | 190 | 42,2% | 711 | 36,7% |
| Colômbia | 40 | 8,9% | 343 | 17,7% |
| Uruguai | 45 | 10,0% | 268 | 13,8% |
| Paraguai | 54 | 12,0% | 150 | 7,7% |
| Equador | 20 | 4,4% | 109 | 5,6% |
| Chile | 42 | 9,3% | 36 | 1,9% |
Em cada ano, os cinco países com mais estrangeiros somam quase a mesma fatia, 82,4% em 2015 e 81,6% em 2026, mas muda quem está entre eles. A Argentina segue na frente, e a Colômbia dobra a sua fatia. Os dados de 2026 vão até 19 de outubro. Um dos uruguaios, Nicolás Acevedo, do Bahia, começou 28 dos 31 jogos do time em 2026.
O limite de estrangeiros da CBF vale para a súmula, e não para quem está em campo
A CBF limita os estrangeiros que cada time pode relacionar na súmula, a lista dos que podem jogar, com 11 titulares e até 12 reservas, e não os que estão em campo. Para o limite, o refugiado conta como brasileiro. Segundo a CBF, o limite foi de 3 em 2013 e de 5 de 2014 a 2022. Subiu para 7 em 2023 e para 9 em 2024.
Para a CBF, o aumento dos estrangeiros em campo, medido por ela em minutos, coincide com a ampliação gradual do limite. Na conta desta matéria, a subida e o limite andaram juntos em 2023 e 2024. Mas o salto de 2022 veio antes, com o limite em 5. A conta não prova que um tenha causado o outro. A medida da CBF não se compara com esta conta.
O plano foi aprovado pelos clubes e pelas federações com apenas dois votos contrários, segundo a CBF. Ele baixa o limite para 8 em 2027 e para 7 em 2028. Depois vêm 6 em 2029 e 5 em 2030. O plano ainda não está em vigor: em 2026, o limite é de 9. Pelo plano, o limite de 5 em 2030 valerá para a súmula inteira, titulares e reservas.
O Brasileirão ao lado dos cinco campeonatos da Europa
Nos cinco campeonatos da Europa, a parcela de estrangeiros é maior do que no Brasileirão, até 19 de outubro de 2026. Ela vai de 40,1% na LaLiga a 72,5% no Campeonato Italiano. A mesma régua vale na Premier League (Inglaterra), na LaLiga (Espanha), no Campeonato Italiano, na Bundesliga (Alemanha) e na Ligue 1 (França). Na Europa, a temporada começa num ano e termina no outro, como a de 2022/23.
| Campeonato | Primeira temporada da conta | Parcela | Última temporada completa e sem lacunas | Parcela | Jogos até 19/10 | Parcela até 19/10 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Campeonato Italiano | 2015/16 | 57,6% | 2022/23 | 65,8% | 70 | 72,5% |
| Premier League (só o inglês não é estrangeiro) | 2016/17 | 68,5% | 2022/23 | 69,3% | 70 | 72,3% |
| Premier League (escoceses, galeses e norte-irlandeses também não são estrangeiros) | 2016/17 | 60,8% | 2022/23 | 64,5% | 70 | 68,6% |
| Ligue 1 | 2012/13 | 49,0% | 2024/25 | 63,4% | 63 | 62,0% |
| Bundesliga | 2016/17 | 56,8% | 2022/23 | 59,7% | 54 | 58,0% |
| LaLiga | 2013/14 | 38,7% | 2022/23 | 44,3% | 88 | 40,1% |
| Brasileirão | 2015 | 5,6% | 2023 | 19,4% | 309 | 28,6% |
Até 19 de outubro, os clubes da Europa tinham jogado de seis a nove vezes. Os do Brasil, 30 ou 31. Na Premier League há duas contas: numa, só o inglês não é estrangeiro; na outra, o escocês, o galês e o norte-irlandês também não são. Na primeira conta, a Premier League tem 72,3% e o Campeonato Italiano, 72,5%, diferença pequena demais para dizer qual tem mais estrangeiros.
O Brasileirão tem a menor parcela, 28,6%, e a sua última temporada sem lacunas é a de 2023. Entre a última temporada completa e a de 2026/27 há um buraco: o acervo só tem as escalações de 2023/24 até dezembro de 2023. O acervo não tem as escalações de 2024/25 e 2025/26 na Premier League, na LaLiga, no Campeonato Italiano e na Bundesliga. Na Ligue 1, falta só 2025/26.
| Campeonato (até 19/10) | Jogos dos clubes citados | Clube com mais estrangeiros | Parcela | Clube com menos estrangeiros | Parcela |
|---|---|---|---|---|---|
| Brasileirão 2026 | 31 | Athletico PR | 47,5% | Mirassol | 2,6% |
| Premier League 2026/27 (só o inglês não é estrangeiro) | 7 | Liverpool | 98,7% | Everton | 29,9% |
| Premier League 2026/27 (mesmos clubes; escoceses, galeses e norte-irlandeses também não são estrangeiros) | 7 | Liverpool | 97,4% | Everton | 24,7% |
| Campeonato Italiano 2026/27 | 7 | Venezia | 100,0% | Frosinone | 31,2% |
| LaLiga 2026/27 | 9 | Real Madrid | 83,8% | Málaga | 0,0% |
| Bundesliga 2026/27 | 6 | Bayer Leverkusen | 98,5% | Paderborn | 19,7% |
| Ligue 1 2026/27 | 7 | Marseille | 98,7% | Le Mans | 23,4% |
Até 19 de outubro, o Málaga jogou 9 vezes e não escalou nenhum estrangeiro entre os titulares. O Venezia, em 7 jogos, só escalou estrangeiros. Nenhuma média de campeonato mostra essa distância entre os clubes. Com 6 a 9 jogos por clube, a ordem da Europa ainda pode mudar.
O que cada campeonato da Europa limita
Na Premier League, em 2026/27, não há teto de estrangeiros. Na lista de 25 jogadores do clube, em 2025/26, no máximo 17 podiam não ser formados no país, de qualquer nacionalidade. Em 2026/27, quem não é do Reino Unido nem da Irlanda precisa, em regra, de autorização da federação inglesa. Na LaLiga, em 2025/26 e 2026/27, o time principal pode inscrever até 3 jogadores de fora da União Europeia.
No Campeonato Italiano, em 2026/27, o limite é de 2 ou 3 novas inscrições de quem é de fora da União Europeia e vem do exterior. Na Bundesliga, em 2026, não há teto, e sim um mínimo de 12 alemães no elenco. Na Ligue 1, em 2024/25, o limite era de 4 de fora da União Europeia (sem contar os de países com acordo) na súmula. Nenhuma dessas regras corresponde à régua desta matéria, que conta todo titular com outra nacionalidade no cadastro.
O limite dos dados: uma nacionalidade por jogador
O cadastro da empresa que fornece os dados das partidas ao site guarda uma só nacionalidade por jogador e a usa em todos os jogos, também nos antigos. Quem ganhou outra cidadania em 2026 conta, em jogos de 2021, pela nacionalidade de hoje. Dos 20 jogadores conferidos em páginas oficiais, 16 batem com o cadastro. Três têm duas nacionalidades e um diverge.
Em 2015, os estrangeiros ocupavam 5,6% dos lugares de titular do Brasileirão. Em 2026, até 19 de outubro, ocupam 28,6%. Na minha leitura, o contraste mais fácil de guardar é o das escalações: em 2015, nenhuma tinha 5 estrangeiros ou mais; em 2026, mais de uma em cada cinco tem.
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Perguntas frequentes
- Quantos estrangeiros jogam no Brasileirão?
- Até 19 de outubro, nos 309 jogos do Brasileirão de 2026 no acervo do Soccer Addicted, os estrangeiros ocuparam 28,6% dos lugares de titular. Em 2015, eram 5,6%. A conta é de lugares de titular, os onze que começam cada jogo, e não de jogadores diferentes.
- Qual time do Brasileirão tem mais estrangeiros?
- Até 19 de outubro, nos 31 jogos de 2026 do acervo, o Athletico PR: 47,5% dos lugares de titular, seguido de Palmeiras (44,0%) e Internacional (43,8%). O Mirassol tem a menor parcela, 2,6%.
- Quantos estrangeiros um time pode ter no Brasileirão?
- Em 2026, a CBF permite 9 estrangeiros na súmula de cada jogo, a lista com 11 titulares e até 12 reservas. Em 21 de setembro de 2026, a CBF, os clubes e as federações aprovaram baixar o limite para 8 em 2027 e para 5 em 2030.
- De onde vêm os estrangeiros do Brasileirão?
- Até 19 de outubro, nos jogos de 2026 do acervo, 36,7% dos lugares de estrangeiros são de argentinos, 17,7% de colombianos e 13,8% de uruguaios. Em 2015, a Argentina também liderava, com 42,2%. A origem é a nacionalidade do cadastro, e não o país de nascimento.
- Quantos estrangeiros um time pode ter nos cinco principais campeonatos da Europa?
- Premier League 2026/27: sem teto de estrangeiros. LaLiga 2026/27: até 3 de fora da União Europeia. Campeonato Italiano 2026/27: 2 ou 3 novas inscrições de fora da UE. Bundesliga 2026: mínimo de 12 alemães. Ligue 1 2024/25: até 4 de fora da UE (sem contar os de países com acordo) na súmula.





