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Harry Kane é o primeiro inglês eleito Jogador do Ano na Alemanha

O atacante do Bayern de Munique venceu com 272 votos e se tornou o primeiro inglês da história do prêmio alemão, que só foi conquistado por um estrangeiro em 2004, com o brasileiro Ailton.

Lucas G. de Moraes
Por Lucas G. de Moraes

24 de agosto de 2026 às 00:43 · há 3h · 6 min de leitura

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Produzido pela nossa redação de IA e revisado por um editor antes de publicar. Política editorial

Harry Kane é o primeiro inglês eleito Jogador do Ano na Alemanha
Imagem gerada por IA · Soccer Addicted

Harry Kane foi eleito o Jogador do Ano do futebol alemão de 2026, anúncio feito no domingo, 23 de agosto, e se tornou o primeiro inglês a receber o prêmio em toda a história da premiação. O atacante do Bayern de Munique teve 272 votos na eleição organizada pela revista kicker e decidida pelos jornalistas filiados à VDS, a associação alemã de jornalistas esportivos. Não é a revista que escolhe o vencedor: ela organiza a consulta, e quem vota são os profissionais que cobrem o futebol alemão semana após semana.

A dimensão da vitória aparece na distância para os perseguidores. Michael Olise, companheiro de Kane no Bayern, ficou em segundo com 203 votos, e o terceiro colocado, Deniz Undav, do Stuttgart, apareceu bem atrás, com 61. A diferença entre Olise e Undav é maior do que a soma de todos os votos recebidos pelos cinco jogadores seguintes na tabela. Vale um registro de transparência: o total de votantes diverge entre as fontes (a dpa informa 656, a bundesliga.com cita 659 e a Goal fala em 695), e por isso este texto cita votos, e não percentuais.

PosiçãoJogadorClubeVotos
1Harry KaneBayern de Munique272
2Michael OliseBayern de Munique203
3Deniz UndavStuttgart61
4Joshua KimmichBayern de Munique21
5Oliver BaumannHoffenheim14
6Said El MalaColônia10
7Lennart KarlBayern de Munique10
8Kai HavertzArsenal6

A eleição virou plebiscito porque a temporada foi de outro patamar. Pelo Bayern de Munique, Kane fez 61 gols em 51 jogos oficiais em 2025/26, com mais sete assistências, uma média superior a um gol por partida. Convém o cuidado com o número: os 61 são o total pelo clube, e não a soma de tudo o que o atacante produziu no período, porque os jogos pela seleção inglesa entram em outra conta. Só na Bundesliga foram 36 gols, o que ajuda a explicar a vantagem esmagadora que ele obteve entre os jornalistas.

O reconhecimento alemão veio depois de outro, continental: Kane ficou com a Chuteira de Ouro europeia de 2025/26, a segunda da carreira dele. No cálculo por pontos do prêmio, o inglês somou 72, contra os 54 de Erling Haaland, o segundo colocado, que marcou 27 gols. A distância entre o primeiro e o segundo repete, em escala europeia, o que a votação alemã mostrou: não houve disputa em nenhum dos dois pódios, e o nome do atacante do Bayern apareceu isolado nas duas listas.

O prêmio existe desde 1960 e chegou a 67 edições. As 44 primeiras, de 1960 a 2003, terminaram todas com um alemão na primeira colocação, sem uma única exceção em mais de quatro décadas. O primeiro estrangeiro a quebrar a sequência foi um brasileiro: Ailton venceu em 2004 e abriu a porta que Kane atravessou agora. Para o leitor brasileiro, o detalhe importa, porque a lista de estrangeiros campeões começa com um compatriota, e ele não é o único que aparece nela, como mostram os anos seguintes.

Depois de Ailton, a lista de vencedores estrangeiros cresceu devagar: o francês Franck Ribéry em 2008, o brasileiro Grafite em 2009, o holandês Arjen Robben em 2010, o belga Kevin De Bruyne em 2015, o polonês Robert Lewandowski em 2020 e 2021, o francês Christopher Nkunku em 2022 e, agora, o inglês Harry Kane. São oito jogadores e nove títulos em 67 edições, contando a dobradinha de Lewandowski. Dois desses oito nasceram no Brasil, Ailton e Grafite, o que dá ao país a maior representação estrangeira da história do prêmio, ao lado da França.

Convém entender o que o pioneirismo de Kane significa. Não houve, em momento algum, uma regra que barrasse estrangeiros, e não há fonte que sustente essa ideia: o prêmio simplesmente ia parar nas mãos de alemães, ano após ano, por escolha dos votantes. A elegibilidade, aliás, é ampla nos dois sentidos, porque aceita tanto o estrangeiro que atua na Alemanha quanto o alemão que joga fora dela. É por isso que Kai Havertz aparece na tabela vestindo a camisa do Arsenal, em oitavo lugar, com 6 votos.

A votação para Treinador do Ano teve folga ainda maior. Vincent Kompany, do Bayern de Munique, recebeu 314 dos 653 votos válidos daquela cédula, quase quatro vezes o total do segundo colocado. Julian Schuster, do Freiburg, ficou com 87 votos, e Sebastian Hoeness, do Stuttgart, apareceu em terceiro, com 53. O padrão se repete nas duas eleições masculinas: os votos se concentraram em Munique, e o trabalho do treinador foi reconhecido pelos jornalistas com a mesma clareza que o desempenho do seu centroavante.

Entre as mulheres, a decisão foi bem mais apertada. Giulia Gwinn, do Bayern de Munique, foi eleita Jogadora do Ano com 106 votos, contra 94 de Klara Buehl, companheira dela de clube, e 82 de Jule Brand. A margem de 12 votos contrasta com a folga confortável de Kane e de Kompany. É o segundo ano seguido de Gwinn no posto, mas com uma diferença que muda o significado do título: em 2025 ela dividiu o primeiro lugar com a goleira Ann-Katrin Berger, e desta vez venceu sozinha.

A conquista de Kane não mexe com o topo da lista de multicampeões. Franz Beckenbauer segue como o jogador com mais títulos entre os homens, com quatro, e o recorte importa: no ramo feminino, criado em 1996 e com série histórica própria, Birgit Prinz acumula oito troféus, muito acima de qualquer marca masculina. Dizer que Beckenbauer tem o recorde do prêmio, sem o qualificador, seria simplesmente errado. Kane, por enquanto, entra na estatística com um título só, o primeiro dele nesta eleição.

No balanço do dia, o Bayern de Munique levou os três prêmios entregues: o de jogador, o de treinador e o de jogadora. Kane sucede Florian Wirtz, vencedor de 2025, e chega ao troféu depois de um ano em que os números falaram mais alto do que qualquer debate. A votação, lida em conjunto, diz menos sobre uma escolha individual e mais sobre um clube que ocupou todas as vitrines da temporada alemã, com um centroavante inglês no centro dela, algo que 67 edições de história nunca tinham registrado.

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