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Regra da mão no futebol: quando é infração e quando não é

Nem todo toque no braço é mão. A Regra 12 da IFAB lista três casos de infração, define o corpo antinaturalmente maior e diz quando é pênalti, amarelo ou vermelho.

Lucas G. de Moraes
Por Lucas G. de Moraes

23 de agosto de 2026 às 20:28 · há 49 min · 6 min de leitura

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Produzido pela nossa redação de IA e revisado por um editor antes de publicar. Política editorial

Regra da mão no futebol: quando é infração e quando não é
Imagem gerada por IA · Soccer Addicted

Nem todo toque da mão ou do braço na bola é infração. A Regra 12 da IFAB lista exatamente três casos. O primeiro é tocar a bola deliberadamente com a mão ou o braço. O segundo é tocar a bola com a mão ou o braço quando isso tornou o corpo antinaturalmente maior. O terceiro é marcar no gol adversário direto da mão ou do braço, mesmo acidental e inclusive pelo goleiro, ou imediatamente depois de a bola tocar a própria mão ou o próprio braço, também mesmo que acidental.

Antes de julgar qualquer lance, a regra define onde começa o braço. Para efeito de infração de mão, o limite superior do braço é a linha da base da axila. O ombro, portanto, não é braço, e tocar a bola com o ombro não é infração. Gol marcado depois de a bola tocar o ombro do atacante é válido, seja o toque deliberado ou acidental, porque o ombro é parte do corpo com que se pode marcar legitimamente. A mesma fronteira vale para o impedimento: mãos e braços de todos os jogadores, inclusive dos goleiros, não contam para a posição de impedimento.

O primeiro caso é o mais simples. Mão deliberada é mover a mão ou o braço em direção à bola, e ela é sempre punida, mesmo quando não muda nada no jogo: o defensor que evita com a mão que a bola saia pela lateral dá tiro livre direto ao adversário, sem cartão. Dentro da própria área, mão deliberada de defensor é sempre pênalti, ainda que não negue chance clara nem interrompa ataque promissor, e também aí não há cartão. Mão deliberada de atacante para manter a posse é infração, e o amarelo é possível, mas não obrigatório.

Corpo antinaturalmente maior

O segundo caso é o que gera discussão, e a própria regra o define. O corpo fica antinaturalmente maior quando a posição da mão ou do braço não é consequência de, nem justificável por, o movimento do corpo do jogador naquela situação específica. Ao manter a mão ou o braço nessa posição, o jogador assume o risco de ser penalizado. Braço claramente estendido para longe do corpo, sem servir de apoio, para bloquear um passe, é infração, e dá tiro livre direto ou pênalti ao adversário.

O contrário também está escrito. Braço junto ao corpo não torna o corpo antinaturalmente maior, e recolher o braço para evitar a bola não configura infração. Bola desviada por um companheiro próximo e inesperado que bate no braço de outro defensor não é infração, esteja o braço colado ao corpo ou já estendido. E a bola que o próprio jogador chuta e volta a tocar no seu braço não é punida, porque o contato é consequência de ele ter jogado a bola deliberadamente com outra parte do corpo.

O terceiro caso vale só para quem ataca. O atacante não pode marcar direto da mão ou do braço, nem imediatamente depois de a bola tocar a própria mão ou o próprio braço, mesmo que acidental e qualquer que seja a posição do braço. O árbitro anula o gol e dá tiro livre direto à defesa. Se o toque foi acidental, não há amarelo, porque não houve tentativa deliberada de marcar com a mão. A proibição, porém, só alcança a equipe atacante: gol contra em que a bola bate na mão ou no braço do próprio defensor é válido.

Com o companheiro, a conta muda. Mão acidental de um companheiro do autor do gol não é infração, e o gol vale, desde que o braço não tenha tornado o corpo antinaturalmente maior. Mão acidental de um atacante que cria uma chance clara para o companheiro também não é infração, salvo se deliberada ou se o braço tornou o corpo antinaturalmente maior. Se a bola bate no braço de um atacante que tornou o corpo antinaturalmente maior e a jogada termina em gol de outro atacante, o gol é anulado.

Punições e cartões

A infração de mão é punida com tiro livre direto, e com pênalti quando acontece dentro da área. A exceção é o goleiro dentro da própria área penal: ali não cabe tiro livre direto por manejo, e sim tiro livre indireto, sem sanção disciplinar. Fora da área, o goleiro tem as mesmas restrições de qualquer jogador, e nem todo toque no braço dele é infração. O que conta é onde estão as mãos e a bola, não onde estão os pés: se o contato acontece fora da área, é infração de mão.

O cartão depende da consequência. É amarelo a mão que interfere ou interrompe um ataque promissor, exceto quando o árbitro marca pênalti por mão não deliberada, e é amarelo usar a mão na tentativa de marcar gol, bem ou malsucedida. É vermelho negar gol ou chance clara com mão deliberada, onde quer que a infração ocorra, exceto o goleiro dentro da própria área, e também negar gol ou chance clara com mão não deliberada fora da própria área penal. Quando o pênalti é marcado por mão que nega gol ou chance clara, o resumo oficial é curto: amarelo se não deliberada, vermelho se deliberada.

EdiçãoO que mudou na mãoEfeito prático
2019/20Texto reescrito para dar mais clareza sobre a mão não deliberadaPrincípio declarado: mão ou braço acima da altura do ombro raramente é posição natural
2020/21O braço passa a terminar na base da axilaMão acidental de atacante só é punida se resultar imediatamente em gol ou chance clara
2021/22A regra é reduzida a três hipótesesMão acidental de companheiro deixa de ser infração
2025/26Sem mudança na definição de mãoA alteração da Regra 12 foi a dos oito segundos do goleiro
2026/27Muda a sanção, não a definiçãoSem cartão quando o árbitro dá vantagem e o gol sai

O VAR não muda a regra, muda quem revê o lance. Ele só pode ajudar o árbitro em cinco categorias, e a mão entra em duas: gol ou não gol e pênalti ou não pênalti, inclusive como infração da equipe atacante na construção da jogada. A intervenção só cabe em erro claro e óbvio ou incidente grave não percebido, e a decisão final é sempre do árbitro. As considerações de mão são decisão subjetiva, o que pede revisão à beira do campo. A câmera lenta serve para os fatos, como o ponto de contato; para decidir se houve mão, usa-se a velocidade normal.

A novidade da edição 2026/27 está na punição, não na definição. Se o árbitro dá vantagem depois de uma infração que negava chance clara e a equipe não infratora faz o gol, não há sanção disciplinar nenhuma, e isso vale também para a mão. Saiu da lista de advertências a mão em tentativa malsucedida de impedir um gol. Essa edição das Regras do Jogo vale para todas as competições que começam em ou após 1 de julho de 2026, e o núcleo da definição de mão continua o mesmo desde 2021/22.

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Perguntas frequentes

Bola no braço é sempre mão?
Não. Nem todo toque da mão ou do braço na bola é infração. Só há infração em três casos: toque deliberado, toque com o corpo antinaturalmente maior e gol do atacante direto da mão ou do braço, ou imediatamente depois de a bola tocar a própria mão.
Bola no ombro é mão?
Não. O limite superior do braço é a linha da base da axila, então o ombro não é braço. Gol marcado depois de a bola tocar o ombro do atacante é válido, seja o toque deliberado ou acidental.
Mão do goleiro na própria área é pênalti?
Não. Se o goleiro maneja a bola dentro da própria área quando não pode, a punição é tiro livre indireto e não há sanção disciplinar. A exceção é jogar a bola uma segunda vez após um reinício, antes de ela tocar outro jogador: aí cabe sanção se a infração interrompe ataque promissor ou nega gol ou chance clara.

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