Vermelho de Huijsen custa o dérbi ao Real Madrid de Mourinho
Com um a menos desde os 51 minutos, o time de Mourinho perdeu pela 2ª vez em sete rodadas da LaLiga 2026/27 e caiu para a 4ª colocação, atrás do próprio Betis, que já havia batido o Real Madrid em setembro de 2026.

22 de setembro de 2026 às 15:56 · há 1h · 13 min de leitura

O Atlético de Madrid venceu o Real Madrid por 2 a 1 no dérbi madrileno de 20/09/2026, pela 7ª rodada da LaLiga. O jogo virou antes de o intervalo terminar de verdade: aos 49 minutos, o zagueiro Dean Huijsen recebeu amarelo por falta em Giuliano Simeone dentro da área e, aos 51, chamado ao monitor pelo VAR, viu o cartão virar vermelho. Com um a mais em campo e um pênalti a favor, o Atlético fez 2 a 0 em poucos minutos, entre a cobrança de Grimaldo e o gol de Jonathan David, e administrou a vantagem até o fim. O time de José Mourinho descontou tarde, aos 89, com Rüdiger, mas esta não é uma matéria sobre um placar apertado: é sobre o que um cartão vermelho aos 51 minutos faz com a estrutura de um time que já não sobrava em espaço nem em ideias.
| Item | Dado | Fonte |
|---|---|---|
| Confronto | Atlético de Madrid 2 x 1 Real Madrid | Milenio |
| Data | 20/09/2026 (domingo) | Milenio |
| Competição | LaLiga, 7ª rodada | Milenio |
| Local | Riyadh Air Metropolitano, Madri | Infobae |
| Árbitro | Miguel Ángel Ortiz Arias, 41 anos | The Objective |
| Cartão vermelho | Dean Huijsen (Real Madrid), 49 min. (pênalti e amarelo), vermelho aos 51 min. pelo VAR | COPE |
| Pênalti | Convertido por Grimaldo, aos 53 min. | Infobae |
A jogada nasceu de um lançamento longo de David Hancko, saindo em construção pela esquerda, para a corrida de Giuliano Simeone no meio-espaço direito, bem na costura entre o lateral e o zagueiro do Real Madrid. Huijsen, que já defendia alto e agressivo desde o apito inicial, teve de escolher entre acompanhar a corrida até o fim ou cortar o problema na marra: segurou Giuliano pela camisa quando o atacante já cruzava a entrada da área. Miguel Ángel Ortiz Arias assinalou o pênalti e mostrou amarelo em campo; chamado ao monitor pelo VAR, trocou para vermelho direto. É a leitura clássica de quem joga uma linha alta contra um time que ataca a profundidade: o zagueiro aposta na própria velocidade, erra o tempo do desarme, e a falta que evita o gol imediato tira um jogador de campo pelo resto da tarde.
Ficar com dez ainda no início do segundo tempo é quase o pior momento possível para sofrer uma expulsão: há tempo de sobra para o adversário explorar a vantagem numérica com calma, e falta fôlego para o time reduzido se recompor depois. O Real Madrid recuou para uma linha de cinco improvisada e abriu mão da pressão alta que vinha sendo a marca registrada do início de Mourinho na LaLiga. O Atlético leu o momento com precisão cínica: Grimaldo bateu o pênalti sem pressa, fazendo 1 a 0, e pouco depois já tinha o segundo. Contra um bloco reduzido a dez homens e organizado às pressas, o terceiro homem de movimentação deixa de ser recurso e vira rotina: é a vantagem numérica se traduzindo em espaço, não só em posse de bola.
Gol a gol: como o Atlético resolveu o dérbi em seis minutos
| Minuto | Time | Jogador | Como foi |
|---|---|---|---|
| 51 | - | - | Huijsen é expulso após falta em Giuliano Simeone na área; amarelo em campo virou vermelho no VAR |
| 53 | Atlético de Madrid | Álex Grimaldo | Pênalti convertido |
| 59 | Atlético de Madrid | Jonathan David | Cruzamento de Giuliano Simeone, em jogada iniciada por Kang-in Lee |
| 89 | Real Madrid | Antonio Rüdiger | Gol de cabeça, já com o Real Madrid lançado ao ataque |
O segundo gol nasceu de uma combinação que resume o que um time com um a mais consegue fazer contra uma retaguarda organizada na base do improviso. Aos 59 minutos, Giuliano Simeone cruzou e Jonathan David só precisou completar para as redes. Contra dez defensores, mesmo dez bem postados, sobra sempre um homem livre na hora certa: o que muda com a superioridade numérica não é a qualidade da jogada, é o tempo que o time atacante tem para escolher a melhor opção. O Real Madrid nunca teve marcação suficiente para fechar as duas pontas ao mesmo tempo.
O gol de Rüdiger, de cabeça, aos 89 minutos, é mais sintoma do que reação: um zagueiro balançando a rede tão tarde costuma significar que o técnico jogou tudo para a área adversária, trocando estrutura por bolas paradas e cruzamentos. Funcionou uma vez, contra um Atlético que já defendia o resultado com um jogador a mais e a partida praticamente resolvida. Não é uma leitura tática que se sustente por 90 minutos inteiros: é a aposta possível de quem está atrás no placar e sem tempo para reconstruir uma saída de bola organizada. O Real Madrid terminou a partida como termina todo time que joga a maior parte do segundo tempo com um homem a menos e o adversário à frente: empurrando corpos para a área e torcendo pela bola parada.
A resposta de Mourinho: fotos impressas e uma acusação direta ao árbitro
Mourinho chegou à entrevista coletiva pós-jogo com duas fotos impressas em mãos, mostrando lances de Cristian Romero em Jude Bellingham e de Kang-in Lee em Federico Valverde que, para ele, também mereciam vermelho. Abriu a fala citando o material antes de qualquer pergunta: "Podemos poupar a entrevista coletiva, porque a história da partida está aqui. São dois cartões vermelhos claros." A frase, dita em espanhol e confirmada em mais de uma cobertura da imprensa esportiva espanhola, resume o estilo do técnico português: transformar a queixa arbitral em evidência material, literalmente impressa em papel, entregue à imprensa como prova de um erro que, para ele, o time sofreu duas vezes na mesma tarde.
Sobre o árbitro, a queixa de Mourinho mirou a inexperiência: "Um pobre árbitro que só dirigiu partidinhas", nos termos usados pelo próprio treinador, ao lembrar que Miguel Ángel Ortiz Arias, de 41 anos, nunca apitou um jogo de seleção principal. Na sequência, segundo as mesmas coberturas, o técnico atribuiu ao videoárbitro Daniel Trujillo um histórico desfavorável ao Real Madrid em partidas anteriores, citando episódios prévios contra Real Sociedad, Osasuna e Girona como prova de um padrão. É a mesma dobradinha de sempre no repertório do técnico: colocar em dúvida a competência de quem apita e, ao mesmo tempo, sugerir intenção em vez de erro, um discurso que já rendeu processos disciplinares em outras ligas onde ele trabalhou.
A resposta veio pelas redes sociais do próprio Atlético de Madrid, cerca de um dia depois: um vídeo de uma impressora cuspindo, repetidamente, a foto do próprio Mourinho segurando as folhas na entrevista, acompanhado do texto "stop arbitration harassment now" (basta de assédio à arbitragem, em tradução livre). O tom debochado espelhou o gesto do técnico com a própria munição dele, e transformou uma queixa arbitral em episódio de rivalidade nas redes, com o clube colchonero preferindo o deboche público à nota oficial de protesto que times costumam emitir nessas situações.
Diego Simeone evitou entrar no mérito do lance e pediu moderação pública, num tom propositalmente contido para quem acabara de vencer o clássico: "Não importa o nome, seja Mourinho, Simeone ou Flick: precisamos ter cuidado com o que dizemos", disse, acrescentando que "somos respeitosos com tudo o que os outros opinam (...) temos que respeitar o próximo, e os árbitros". É um contraste deliberado de postura: enquanto o rival levava prova impressa à sala de imprensa, o técnico argentino escolheu o caminho da generalidade, sem citar nomes nem lances, mesmo comandando o time que saiu com os três pontos e o benefício da decisão polêmica.
Miguel Ángel Ortiz Arias, de 41 anos, tornou-se o primeiro árbitro nascido em Madri, entre os inscritos no comitê local (CAFM), a apitar um dérbi madrileno pela LaLiga: um fato histórico por si só, que a polêmica do cartão de Huijsen acabou ofuscando. A tarde também não foi tranquila para o outro lado do banco: logo no início da partida, Diego Simeone viu um amarelo incomum, cedo demais para ser rotina. O detalhe importa porque desmonta a narrativa de arbitragem unilateral que a entrevista de Mourinho tentou instalar: o árbitro errou, ou, na leitura do VAR, corrigiu um erro em campo, contra o Real Madrid, mas não poupou advertências para o próprio banco do Atlético.
A segunda derrota até a sétima rodada, e o precedente do Betis
Não é a primeira vez que o Real Madrid de Mourinho sai de campo batido por um gol de vantagem em situação parecida. Em 04/09/2026, o Betis já havia vencido por 1 a 0, gol de Troy Parrott aos 81 minutos, com Álvaro Valles pegando um pênalti de Mbappé já nos acréscimos. Entre uma derrota e outra, o time teve uma vitória contundente sobre o Rayo Vallecano, por 4 a 1, em 12/09/2026, e outra mais sofrida, por 3 a 2, fora de casa contra o Elche, em 15/09/2026. É uma sequência de resultados que mostra um time capaz de golear quando tem espaço e joga onze contra onze, mas ainda incapaz de administrar jogos duros contra rivais que fecham o campo ou aproveitam o primeiro erro individual.
A tabela da LaLiga: Barcelona disparado, e o Real Madrid atrás do próprio Betis
A classificação abaixo é a da página oficial da LaLiga, fechada ao fim da 7ª rodada, em 21/09/2026. O Barcelona venceu os sete primeiros jogos da temporada e lidera com sobra. O Atlético subiu para a vice-liderança com a vitória no dérbi, superando o próprio Real Betis no saldo de gols apesar da mesma pontuação, e o Real Madrid soma cinco vitórias e duas derrotas, sem nenhum empate no meio do caminho. É a fotografia mais clara do momento: quem venceu o clássico melhorou de posição, e quem perdeu viu o pelotão de perseguição ficar mais apertado logo atrás.
| Pos. | Time | Pts | J | V | E | D | GP | GC | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | FC Barcelona | 21 | 7 | 7 | 0 | 0 | 31 | 7 | LaLiga |
| 2º | Atlético de Madrid | 16 | 7 | 5 | 1 | 1 | 16 | 7 | LaLiga |
| 3º | Real Betis | 16 | 7 | 5 | 1 | 1 | 9 | 7 | LaLiga |
| 4º | Real Madrid | 15 | 7 | 5 | 0 | 2 | 18 | 8 | LaLiga |
| 5º | Sevilla FC | 13 | 7 | 4 | 1 | 2 | 10 | 9 | LaLiga |
| 6º | Deportivo Alavés | 11 | 7 | 3 | 2 | 2 | 11 | 6 | LaLiga |
A conta fecha rápido: cinco vitórias valem 15 pontos, e é exatamente a soma que a tabela mostra, porque o Real Madrid ainda não empatou nenhum jogo na temporada, para o bem ou para o mal. São 21 pontos do Barcelona contra 15 do Real Madrid, uma distância de 6 pontos ao fim da 7ª rodada; para o 3º colocado, o próprio Betis que já bateu o time de Mourinho em setembro, a distância é de só 1 ponto. Um time sem empates é um time que decide tudo: nas cinco vitórias, resolveu; nas duas derrotas, foi resolvido. É um padrão de resultado que tende a se autocorrigir com o tempo, mas que em setembro ainda deixa mais perguntas do que respostas sobre o time que Mourinho está construindo.
Retrospecto do dérbi: domínio histórico do Real Madrid, mas paridade na última década
| Recorte, até 21/09/2026 | Real Madrid | Atlético | Empates | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Todas as competições (305 jogos) | 156 (51,1%) | 76 (24,9%) | 73 (23,9%) | estoesatleti.es |
| Só jogos de liga (178) | 92 | 42 | 44 | estoesatleti.es |
| Últimos 10 jogos de liga | 3 | 3 | 4 | estoesatleti.es |
O retrospecto de longuíssimo prazo é avassaladoramente favorável ao Real Madrid, mas ele conta uma história de mais de um século; o que interessa para entender o presente é a paridade recente. Nos últimos 10 jogos de liga entre os dois, são 3 vitórias do Atlético, 3 do Real Madrid e 4 empates, um retrato de equilíbrio que o resultado deste domingo reforça em vez de desmentir. E o Real Madrid vinha de vencer os dois duelos imediatamente anteriores a este: por 2 a 1 na semifinal da Supercopa da Espanha, em 08/01/2026, em Jidá, e por 3 a 2 pela LaLiga, em 22/03/2026, no Santiago Bernabéu. O capitão do Atlético, Koke, segue como o jogador com mais presenças na história do clássico madrileno: 45 jogos, à frente de Sergio Ramos.
Quarto técnico em pouco mais de um ano: o carrossel do banco merengue
| Técnico | Início | Fim | Como saiu | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Carlo Ancelotti | - | Maio de 2025 | Deixou o comando para assumir a seleção brasileira | ESPN Brasil |
| Xabi Alonso | Meados de 2025 | 12/01/2026 | Demitido um dia após perder a final da Supercopa da Espanha para o Barcelona por 3 a 2 | O Povo |
| Álvaro Arbeloa | 12/01/2026 | Fim da temporada 2025/26 | Técnico do Castilla, promovido a interino | O Povo |
| José Mourinho | 11/06/2026 | - | Contrato até 30/06/2029, cláusula de € 15 milhões paga ao Benfica | RTP / O Jogo |
Mourinho não é estreante em Madri. Comandou o Real Madrid entre 2010 e 2013 e venceu três títulos: a Copa del Rey de 2010/11, contra o Barcelona na final; a LaLiga de 2011/12, com 100 pontos e 9 de vantagem sobre o Barcelona de Guardiola, encerrando a hegemonia culé; e a Supercopa da Espanha de 2012. No mesmo período, chegou a três semifinais seguidas de Champions League sem nunca passar. Voltou treze anos depois como o quarto nome diferente no banco do Real Madrid num intervalo de pouco mais de um ano, contratado junto ao Benfica por uma cláusula de rescisão de € 15 milhões, com contrato assinado até 30/06/2029.
Como analista, resisto a chamar isso de crise: um time a 6 pontos do líder em setembro, com a temporada inteira pela frente, ainda tem margem de sobra para corrigir a rota. Mas os números do próprio boletim não mentem sobre o momento: duas derrotas até a 7ª rodada, nenhum empate no meio do caminho, o quarto técnico diferente em pouco mais de um ano, e um comandante que prefere reunir prova fotográfica para a imprensa a explicar por que o time não sustenta a vantagem numérica quando a tem. Não é crise. É um projeto que ainda não convenceu dentro de campo, com um outubro pesado pela frente para provar o contrário.
Depois da pausa de Data Fifa do fim de setembro, o Real Madrid volta a campo em 11/10/2026, contra o Villarreal, no Santiago Bernabéu, pela LaLiga. É o primeiro compromisso de uma sequência carregada, que inclui a Roma e o RB Leipzig pela Champions League e termina, em 25/10/2026, com outro dérbi: desta vez contra o Barcelona, no Camp Nou. Depois do que aconteceu no Riyadh Air Metropolitano, dificilmente Mourinho vai preparar essa sequência sem, antes, rever a marcação de área e o critério para escalar a linha defensiva num degrau mais baixo.
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Perguntas frequentes
- Por que Dean Huijsen foi expulso no Atlético x Real Madrid?
- Por falta em Giuliano Simeone dentro da área, aos 51 minutos, numa corrida em profundidade após lançamento de David Hancko. O árbitro Miguel Ángel Ortiz Arias mostrou amarelo em campo e trocou para vermelho depois de ser chamado ao monitor do VAR.
- Quem marcou os gols do Atlético de Madrid 2 x 1 Real Madrid?
- Álex Grimaldo, de pênalti, aos 53 minutos; Jonathan David, aos 59, em cruzamento após jogada de Giuliano Simeone e Kang-in Lee; Antonio Rüdiger descontou para o Real Madrid aos 89.
- Quantos técnicos o Real Madrid já teve desde a saída de Carlo Ancelotti?
- Três: Xabi Alonso, demitido em 12/01/2026; Álvaro Arbeloa, interino a partir da mesma data até o fim da temporada; e José Mourinho, anunciado em 11/06/2026, o quarto nome no comando desde que Ancelotti deixou o clube, em maio de 2025.
- Em que posição está o Real Madrid na LaLiga depois da 7ª rodada?
- Em 4º lugar, com 15 pontos em 7 jogos (5 vitórias e 2 derrotas, nenhum empate), 6 pontos atrás do líder Barcelona e 1 atrás do 3º colocado, o Betis.
- Quantas vezes o Real Madrid perdeu na LaLiga 2026/27 depois da 7ª rodada?
- Duas vezes: 1 a 0 para o Betis, em 04/09/2026, e 2 a 1 para o Atlético de Madrid, em 20/09/2026.
- Qual é o retrospecto do dérbi entre Atlético de Madrid e Real Madrid?
- Em 305 jogos de todas as competições, o Real Madrid venceu 156, o Atlético 76, com 73 empates. Só pela LaLiga, são 92 vitórias do Real Madrid, 42 do Atlético e 44 empates, em 178 jogos.






