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Desempate na fase de liga da Champions: a ordem que decide a tabela

Trinta e seis clubes numa tabela só, e quase ninguém joga contra todo mundo. A ordem dos dez critérios que separam quem empatou em pontos.

Lucas G. de Moraes
Por Lucas G. de Moraes

2 de setembro de 2026 às 12:38 · há 1h · 4 min de leitura

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Política editorial

Desempate na fase de liga da Champions: a ordem que decide a tabela
Imagem gerada por IA · Soccer Addicted

Quando dois clubes terminam a fase de liga da Champions com os mesmos pontos, a UEFA não olha o confronto direto entre eles. Olha primeiro o saldo de gols, depois os gols marcados e depois os gols marcados fora de casa. São dez critérios numa ordem fixa, e o primeiro que separar os clubes decide a posição.

A ordem soa estranha para quem cresceu vendo pontos corridos, e é estranha de propósito. Trinta e seis clubes dividem uma tabela só, e cada um enfrenta oito adversários entre os trinta e cinco possíveis. Ninguém joga contra todo mundo. Quase ninguém joga contra quem vai terminar ao seu lado na classificação. Um desempate que dependa do jogo entre os empatados só funciona se esse jogo tiver existido.

Por que o confronto direto não abre a fila

No campeonato nacional, o confronto direto é o desempate mais defensável que existe: os dois clubes se enfrentaram em casa e fora, e esse par de jogos é uma amostra completa. Na tabela única europeia a amostra quase nunca existe. Dois clubes empatados em pontos costumam ter calendários que nunca se cruzaram. Colocar o confronto direto no topo criaria uma regra que resolve poucos casos e deixa o resto sem resposta, e uma tabela de trinta e seis precisa de um critério que valha para os trinta e seis.

A ordem exata, critério a critério

OrdemCritérioO que ele mede
1Saldo de gols na fase de ligaDesempenho próprio
2Gols marcadosDesempenho próprio
3Gols marcados fora de casaDesempenho próprio
4VitóriasDesempenho próprio
5Vitórias fora de casaDesempenho próprio
6Pontos somados pelos adversários enfrentadosForça do calendário
7Saldo de gols somado desses adversáriosForça do calendário
8Gols marcados por esses adversáriosForça do calendário
9Menos pontos disciplinaresConduta
10Coeficiente de clube mais altoHistórico europeu

Os cinco primeiros critérios olham apenas para o que o clube fez. O saldo de gols vem na frente porque é a medida mais completa de oito jogos: resume ataque e defesa numa conta só. Os gols marcados vêm em seguida, e premiam quem resolveu no ataque quando o saldo empatou. Os dois critérios de vitória fecham o bloco porque separam quem venceu de quem empatou muito, uma diferença real de campanha escondida atrás do mesmo total de pontos.

O critério dos gols fora de casa costuma causar espanto, já que o gol fora não desempata mais os confrontos de mata-mata. Aqui ele significa outra coisa. Cada clube joga quatro partidas em casa e quatro fora, sem exceção. O denominador é idêntico para os trinta e seis, e por isso comparar o que cada um produziu longe do próprio estádio é comparar coisas iguais. Num campeonato nacional o critério seria ruído; na tabela única ele mede a metade mais difícil de um programa que todos cumprem na mesma proporção.

Do sexto ao oitavo critério a conta muda de dono e passa a olhar para os adversários: somam-se os pontos que os oito rivais de cada clube fizeram na fase de liga, depois o saldo de gols deles, depois os gols que marcaram. É a força do calendário virando desempate. Num campeonato de pontos corridos esse número não serviria para nada, porque todos enfrentam os mesmos adversários. Na tabela única ele corrige uma desigualdade embutida no sorteio: duas campanhas idênticas podem ter atravessado programas de dificuldade muito diferente.

Os dois últimos critérios são reserva, e raramente precisam ser consultados. O nono conta cartões, de jogadores e de membros da comissão técnica: um ponto por amarelo, três por vermelho e três pela expulsão por dois amarelos no mesmo jogo, e fica na frente quem tiver menos. O décimo é o coeficiente de clube, o mesmo ranking que organiza potes no sorteio. Ele fecha a lista por ser o único critério que não depende do que aconteceu nos oito jogos, e é justamente isso que se pede de um último recurso.

O que a posição final decide

A tabela não distribui apenas orgulho. Do primeiro ao oitavo lugar, o clube vai direto às oitavas de final. Do nono ao vigésimo quarto, entra num playoff de dois jogos antes das oitavas. Do vigésimo quinto ao trigésimo sexto, está eliminado. E dentro da faixa do playoff existe uma segunda fronteira: do nono ao décimo sexto o clube é cabeça de chave e, em princípio, decide o confronto em casa; do décimo sétimo ao vigésimo quarto, não.

Por isso o desempate pesa tanto. Um gol a mais no saldo pode ser a diferença entre pular uma eliminatória inteira e jogar mais dois mata-matas. Um gol a menos pode ser a diferença entre seguir vivo e encerrar a campanha europeia ali mesmo. Os critérios de desempate não são letra miúda do regulamento: são a régua fina que decide, no minuto final da última rodada, qual das três portas o clube vai atravessar.

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Perguntas frequentes

Quantos critérios de desempate a Champions usa na fase de liga?
Dez, aplicados numa ordem fixa. O primeiro que separar os clubes decide a posição, e os seguintes nem chegam a ser consultados.
O confronto direto vale como desempate na fase de liga?
Não. A UEFA não inclui o confronto direto entre os critérios, porque dois clubes empatados em pontos podem simplesmente nunca ter se enfrentado dentro dos oito jogos de cada um.
Qual é o primeiro critério de desempate?
O saldo de gols na fase de liga. Se ele também empatar, entram os gols marcados e depois os gols marcados fora de casa.
Por que os gols fora de casa contam, se o gol fora foi abolido no mata-mata?
Porque na fase de liga todos jogam quatro partidas em casa e quatro fora. A base de comparação é a mesma para todos, e o critério mede a metade mais difícil do calendário.
O que muda entre terminar em oitavo e terminar em nono?
O oitavo vai direto às oitavas de final. O nono precisa vencer um playoff de dois jogos para chegar lá, ainda que entre nele como cabeça de chave.