Europa League e Conference League: como funcionam os formatos
Guia das competições europeias: fase de liga, playoff eliminatório, como se classificar e o que cada título garante ao campeão na temporada seguinte.


A Europa League e a Conference League são a segunda e a terceira competições masculinas de clubes da UEFA disputadas ao longo da temporada, abaixo da Champions League. Em 2026/27, da fase de liga em diante, os jogos das duas acontecem às quintas-feiras, com duas exceções fixadas no regulamento: as finais são numa quarta-feira, e a primeira rodada da fase de liga da Europa League se divide entre quarta e quinta. Recebem clubes classificados pelo campeonato ou pela copa nacional, clubes que caem das pré-eliminatórias da Champions e da Europa League e, no caso da Europa League, o último campeão da Conference. Cada uma termina em jogo único, num estádio neutro escolhido com antecedência.
Depois das pré-eliminatórias de julho e agosto, a fase principal das duas começa com uma fase de liga no chamado sistema suíço, adotado em 2024/25. Em 2026/27, a tabela de cada uma soma 36 clubes, mas ninguém enfrenta todo mundo. Na Europa League, os clubes são divididos em quatro potes de nove, e cada clube pega dois adversários por pote, um em casa e outro fora: são oito jogos. Na Conference, são seis potes de seis e um adversário por pote. Para decidir o mando, os potes 1 e 2, 3 e 4, 5 e 6 formam pares, e cada clube joga em casa contra um adversário de cada par. Vitória vale três pontos e empate, um.
| Em 2026/27 | Europa League | Conference League |
|---|---|---|
| Clubes na fase de liga | 36 | 36 |
| Potes | 4, com 9 clubes cada | 6, com 6 clubes cada |
| Jogos por clube | 8, sendo 4 em casa | 6, sendo 3 em casa |
| Jogos na fase de liga | 144 | 108 |
| Rodadas | De 16 de setembro de 2026 a 28 de janeiro de 2027 | De 15 de outubro a 17 de dezembro de 2026 |
| Direto às oitavas | Do 1º ao 8º | Do 1º ao 8º |
| Playoff do mata-mata | Do 9º ao 24º, em 18 e 25 de fevereiro de 2027 | Do 9º ao 24º, em 18 e 25 de fevereiro de 2027 |
| Final | 26 de maio de 2027, Stadion Frankfurt | 2 de junho de 2027, Beşiktaş Stadium, Istambul |
| Vaga do campeão | Fase de liga da Champions 2027/28 | Fase de liga da Europa League 2027/28 |
Por que a UEFA enterrou os grupos
Até 2023/24, a fase de grupos das duas competições reunia 32 clubes em oito grupos de quatro, cada clube enfrentando os outros três em turno e returno: seis jogos por clube, doze por grupo, noventa e seis ao todo nas oito chaves, com os dois primeiros de cada grupo avançando e o terceiro caindo para a competição de baixo. O defeito estrutural aparecia cedo: um grupo de quatro se decide rápido, e chegava jogo sem nada em disputa já na penúltima rodada em boa parte das chaves, com um classificado e outro eliminado matematicamente antes da bola rolar. E a força do caminho dependia do sorteio de um grupo só: cair na chave errada bastava para eliminar um clube forte antes da fase eliminatória, e cair na fácil carregava um time fraco adiante sem provar nada contra ninguém de peso.
O sistema suíço, adotado em 2024/25, ataca os dois problemas ao mesmo tempo. Em vez de oito grupos isolados de quatro, é uma tabela só, com 36 clubes e oito (ou seis, na Conference) adversários diferentes sorteados dos potes por coeficiente. A classificação passa a refletir uma amostra bem mais larga de resultados, contra rivais de força variada e não só os três que um sorteio determinou, e como todo mundo soma pontos na mesma tabela, um resultado na rodada 7 ou 8 ainda pode mudar quem vai direto às oitavas ou quem cai para o playoff, mesmo com o grosso da tabela já definido. O nome vem do xadrez: é o desenho usado em torneios abertos grandes demais para todo mundo jogar contra todo mundo, emparelhando por força a cada rodada em vez de fechar grupos estanques.
Tem também o lado comercial, e o cálculo é direto: mais jogos significa mais direito de transmissão para vender. Na Europa League, a fase de liga saltou de 96 jogos, nas oito chaves de quatro, para 144; na Conference, de 96 para 108. A reforma foi aprovada em 2022 depois de meses de consulta com os próprios clubes e as ligas nacionais, e o pote por coeficiente joga clube de liga grande contra clube de liga grande logo nas primeiras rodadas, em vez de reservar esse confronto para uma eventual fase eliminatória: mais jogo de apelo cedo na temporada é audiência maior bem antes de fevereiro.
Por que quinta-feira, e por que a estreia se divide em dois dias
A divisão não é acidente de calendário: cada uma das três competições de clubes da UEFA tem uma noite quase só sua. A Champions League ocupa terça e quarta a temporada inteira; Europa League e Conference dividem a quinta. Reservar uma noite fixa para cada competição existe para não empilhar duas transmissões concorrentes no mesmo horário toda semana, e a quinta-feira é a que sobra depois de a Champions tomar as duas primeiras noites úteis da semana europeia de jogos.
A primeira rodada foge à regra por um problema de volume, não de calendário: com 36 clubes jogando ao mesmo tempo, são 18 partidas simultâneas por rodada na Europa League, dezoito também na Conference. Encaixar isso numa única noite de transmissão sobrecarregaria os canais e as próprias equipes de arbitragem da UEFA, e a saída encontrada foi espalhar a estreia por dois dias, quarta e quinta, com a administração da UEFA decidindo qual confronto cai em qual noite. Da segunda rodada em diante, a fase de liga inteira volta a caber na quinta-feira.
Os critérios de desempate, em ordem
A vistoria da tabela suíça exige uma régua e tanto: 36 clubes numa fila só, decidindo quem vai direto às oitavas, quem disputa o playoff e quem está fora da Europa até a próxima temporada. O regulamento fixa dez critérios de desempate, aplicados nesta ordem, e são os mesmos na Europa League e na Conference:
| Ordem | Critério de desempate na fase de liga |
|---|---|
| 1º | Saldo de gols na fase de liga |
| 2º | Número de gols marcados na fase de liga |
| 3º | Número de gols marcados fora de casa na fase de liga |
| 4º | Número de vitórias na fase de liga |
| 5º | Número de vitórias fora de casa na fase de liga |
| 6º | Pontos somados pelos adversários enfrentados na fase de liga |
| 7º | Saldo de gols somado dos adversários enfrentados |
| 8º | Gols marcados somados pelos adversários enfrentados |
| 9º | Menor pontuação disciplinar (vermelho vale 3, amarelo vale 1, expulsão por dois amarelos vale 3) |
| 10º | Maior coeficiente de clube |
O gol marcado fora de casa é só o 3º critério, atrás do saldo de gols geral e do total de gols marcados: decide empate de fato, mas depois de dois filtros mais grosseiros, não no primeiro confronto de números. E o desempate só chega ao coeficiente de clube, o 10º e último critério, num caso raro: dois clubes iguais em pontos, saldo, gols, vitórias e até no resultado coletivo dos adversários que enfrentaram. Antes disso, o 9º critério é pontuação disciplinar, e é o fair play decidindo vaga direta: dois cartões amarelos custam o mesmo que um vermelho na conta, e um clube pode perder uma vaga nas oitavas por cartão tomado em outubro.
Os cortes e o mata-mata
As duas dividem a tabela do mesmo jeito. Os oito primeiros vão direto às oitavas de final. Do 9º ao 24º, os clubes disputam o playoff do mata-mata em ida e volta, e em princípio os mais bem colocados, do 9º ao 16º, fazem a volta em casa. Do 25º ao 36º, acabou: não há repescagem nem queda para outra competição. Das oitavas às semifinais, os confrontos também são em ida e volta, com prorrogação e pênaltis em caso de empate no placar agregado. Em nenhuma fase do mata-mata há separação por país. A final é jogo único: a da Europa League de 2026/27 é na quarta-feira, 26 de maio de 2027, em Frankfurt, e a da Conference, na quarta-feira, 2 de junho, em Istambul.
O sorteio do mata-mata tem menos sorte do que parece
O playoff do mata-mata, do 9º ao 24º colocado, não sorteia 16 clubes livremente. O regulamento primeiro separa quatro pares cabeça de chave (9º com 10º, 11º com 12º, 13º com 14º, 15º com 16º) e quatro pares sem cabeça de chave (17º com 18º, 19º com 20º, 21º com 22º, 23º com 24º), e só então sorteia cada cabeça de chave contra um dos não cabeças: 9º ou 10º pega 23º ou 24º, 11º ou 12º pega 21º ou 22º, 13º ou 14º pega 19º ou 20º, 15º ou 16º pega 17º ou 18º. O efeito é que o pior cabeça de chave nunca cai contra o melhor dos não cabeças: a distância na tabela da fase de liga se traduz em distância no sorteio do playoff.
Nas oitavas, o desenho muda de novo: os oito primeiros da fase de liga formam quatro pares cabeça de chave entre si (1º com 2º, 3º com 4º, 5º com 6º, 7º com 8º), e cada um é sorteado contra um dos vencedores do playoff, numa posição já fixada pelo sorteio anterior. Das quartas em diante não há mais sorteio nenhum: a estrutura do chaveamento, ou seja, quem joga contra o vencedor de qual confronto, já está definida pelo Anexo B do regulamento desde antes de o playoff terminar, só falta preencher com os nomes dos clubes. E se um cabeça de chave cai pelo caminho, quem o elimina simplesmente herda a posição dele na chave, sem recalcular mando de campo por resultado.
O mando de campo do returno segue a lógica do coeficiente do início ao fim: cabeça de chave joga o returno em casa no playoff e nas oitavas, e nas quartas e semifinais o critério passa a ser a posição final na fase de liga: quem termina do 1º ao 4º manda o returno das quartas, e o 1º e o 2º mandam o das semifinais. Só a final foge disso: é jogo único em estádio neutro escolhido com antecedência, mas o regulamento ainda reserva um lado da chave, chamado no texto oficial de "lado de prata", como mandante nominal só para efeito administrativo, sem qualquer vantagem esportiva real.
Diferente da fase de liga, o mata-mata do sistema suíço, adotado em 2024/25, não tem nenhuma restrição por país: o regulamento do playoff e das oitavas fala só em posição na tabela final, sem mencionar associação nenhuma. Dois clubes do mesmo país que sobrevivem à fase de liga podem se enfrentar já no playoff, nas oitavas ou mais adiante, dependendo só de onde cada um termina a tabela suíça, e isso é parte do preço de trocar grupos fechados por uma tabela única: a restrição que fazia sentido dentro de um grupo isolado de quatro clubes perde a razão de ser quando a fase de liga já misturou todo mundo contra todo tipo de adversário.
Como se chega à fase de liga
A maioria dos clubes entra pelas pré-eliminatórias, e o caminho muda de uma competição para a outra. Na Europa League de 2026/27, 12 clubes entraram direto pela liga ou pela copa nacional, e uma vaga foi do campeão da Conference. Outros 12 passaram pelo playoff das pré-eliminatórias, e 11 caíram das pré-eliminatórias da Champions para a fase de liga: 4 eliminados na terceira fase e 7 no playoff. Na Conference, ninguém entrou direto: os 36 foram 24 vencedores do playoff e 12 perdedores do playoff da Europa League. Quem perde nas pré-eliminatórias vai para uma competição abaixo: da Champions para a Europa League, ou direto para a Conference se for eliminado na primeira fase, e da Europa League para a Conference. A própria UEFA chama isso de paraquedas. E a fase em que cada clube entra depende do coeficiente da UEFA do seu país: para 2026/27, valeu o de 2020/21 a 2024/25.
O teto de participação por associação
Quantos clubes cada país credencia, e em que fase eles entram, não é escolha do país: é resultado direto do coeficiente de associação do país, a mesma régua de cinco temporadas (2020/21 a 2024/25, para 2026/27) que decide o ranking geral. O regulamento é explícito: essas posições determinam a fase em que cada clube entra na competição. Na prática, quanto mais alto o país no ranking, mais clubes ele credencia e mais tarde eles entram, direto na fase de liga ou perto dela; nos países do fim da lista, entra um clube só, e ele começa na pré-eliminatória mais cedo do calendário europeu, em julho.
A base da conta, prevista no próprio regulamento, é simples: uma vaga garantida para o campeão da copa nacional, e uma segunda para o clube mais bem colocado no campeonato que não tenha ido para a Champions. É o modelo mínimo. Ele se ajusta pelo Anexo A do regulamento, publicado por circular no começo de cada temporada, quando um país tem mais clubes qualificados por outras vias (queda da Champions, campeão da Conference do ano anterior) do que esse modelo mínimo comporta, e o efeito cascata desloca cada clube uma posição no acesso.
O retrato muda de temporada para temporada, mas dá para ver o padrão numa foto só: na Europa League de 2026/27, Inglaterra e França entraram na fase de liga com três clubes cada (Bournemouth, Crystal Palace e Sunderland; Lyon, Marselha e Rennes), dez países entraram com dois clubes cada, entre eles Alemanha, Espanha, Itália e Portugal, e os dez restantes, com um só. Não existe, na letra do regulamento, um número máximo fixo por país: existe uma fila ordenada por coeficiente, e o teto de cada um é onde a fila o deixa.
O caminho exato de quem cai da Champions
A queda da Champions League não é um tobogã único: o regulamento separa dois caminhos de classificação da própria Champions, o Champions Path (para quem chega pelo título do campeonato nacional) e o League Path (para quem chega por outra colocação do campeonato), e cada um desemboca num ponto diferente da Europa League e da Conference.
Quem cai do Champions Path vai assim: eliminado na primeira pré-eliminatória entra direto na segunda pré-eliminatória da Conference, sem passar pela Europa League; eliminado na segunda entra na terceira fase da Europa League, e se cair ali desce ao playoff da Conference; eliminado na terceira fase entra no playoff da Europa League, e se cair ali desce à fase de liga da Conference; eliminado no playoff da Champions entra direto na fase de liga da Europa League, sem escala nenhuma.
Já quem cai do League Path segue outra tabela: eliminado na segunda fase entra na terceira fase da Europa League, e se cair ali desce ao playoff da Conference; eliminado na terceira fase ou no playoff entra direto na fase de liga da Europa League. A diferença central entre os dois caminhos aparece exatamente nesse ponto: o League Path reúne clubes classificados por colocação no campeonato, não por título, normalmente de ligas com coeficiente mais alto, e cair na terceira fase já vale fase de liga direto; o Champions Path reúne campeões nacionais de ligas com coeficiente mais baixo, e a mesma fase de eliminação vale só o playoff.
| Eliminado na Champions League | Entra na Europa League em | Se cair lá, entra na Conference League em |
|---|---|---|
| Champions Path, 1ª pré-eliminatória | - | 2ª pré-eliminatória |
| Champions Path, 2ª pré-eliminatória | 3ª pré-eliminatória | Playoff |
| Champions Path, 3ª pré-eliminatória | Playoff | Fase de liga |
| Champions Path, playoff | Fase de liga | - |
| League Path, 2ª pré-eliminatória | 3ª pré-eliminatória | Playoff |
| League Path, 3ª pré-eliminatória | Fase de liga | - |
| League Path, playoff | Fase de liga | - |
A Conference League tem ainda uma entrada própria, sem relação com a Champions: quem perde a primeira fase da Europa League, a que vem de acesso direto pelo país e não de queda nenhuma, desce à segunda pré-eliminatória da Conference, e quem perde a segunda fase da Europa League desce à terceira. É a mesma lógica de paraquedas, um degrau abaixo.
O sorteio da fase de liga e suas restrições
Os potes da fase de liga não usam o coeficiente do país: usam o coeficiente de clube, apurado clube por clube segundo o Anexo D do regulamento, e é aí que mora uma armadilha comum. Um time pode vir de um país mal colocado no ranking geral e ainda assim cair num pote alto, se tiver campanha europeia recente forte o bastante, porque o sorteio olha o histórico do clube, não o do país.
A restrição principal do sorteio é a mesma nas duas competições, no texto exato do regulamento: em princípio, clubes da mesma associação não podem ser sorteados um contra o outro, e cada clube pode enfrentar no máximo 2 adversários de qualquer outra associação. Isso significa que 2 times ingleses, por exemplo, não se cruzam na fase de liga, salvo travamento matemático do sorteio, e nenhum time enfrenta 3 ou mais espanhóis, franceses ou de qualquer outro país na mesma edição.
O "em princípio" não é floreio nem promessa vazia: o próprio regulamento autoriza a administração da UEFA a ajustar as condições do sorteio para evitar impasses matemáticos, o que acontece quando o número de clubes de uma associação nos potes é grande demais para respeitar a restrição em todos os confrontos ao mesmo tempo. Nesses casos, pouco frequentes, a exceção é decidida antes do sorteio, não durante.
Coeficiente de país e coeficiente de clube não são a mesma conta
Os dois nomes parecem a mesma ideia com roupagem diferente, e não são: o coeficiente de país, que a UEFA chama de coeficiente de associação, é a média de pontos dos clubes daquele país nas três competições europeias numa temporada, dividida pelo número de clubes que o país mandou àquela edição; o coeficiente de clube é a soma dos pontos que o próprio clube fez, temporada a temporada. Um país manda cinco clubes discretos e ainda ranqueia alto se os cinco pontuarem de forma consistente; um clube ranqueia alto sozinho, só pelo que ele mesmo fez.
E os dois usam janelas de tempo diferentes, não a mesma: o coeficiente de país que define o acesso de 2026/27 é a soma de cinco temporadas encerradas em 2024/25 (de 2020/21 a 2024/25); o coeficiente de clube que define os potes do sorteio da mesma edição de 2026/27 usa cinco temporadas encerradas em 2025/26 (de 2021/22 a 2025/26), um ano mais recente. Na prática, um clube que fez uma campanha forte em 2025/26 já entra com esse resultado pesando no próprio coeficiente para o sorteio de setembro de 2026, mas o coeficiente do país dele para as vagas de 2026/27 já estava fechado antes daquela campanha terminar, e só vai sentir o efeito na temporada seguinte.
Existe ainda uma trava que o regulamento chama de piso: o coeficiente de cinco temporadas de um clube não pode ser menor que 20% do coeficiente de cinco temporadas da própria associação, e vale o que for maior entre os dois. Ou seja, um coeficiente de clube nunca é só o que ele mesmo fez: é o maior entre a soma das próprias campanhas e um piso de um quinto do coeficiente do país. A regra protege o time sem histórico europeu recente, um campeão nacional inédito na Europa, por exemplo, de cair no pote mais fraco só por falta de pontos acumulados, e ao mesmo tempo empurra para cima o coeficiente de clubes de países fortes que, isoladamente, teriam pouco acumulado.
O que o título vale
O campeão da Europa League ganha vaga na fase de liga da Champions seguinte, mesmo sem se classificar pelo campeonato. Se ele já tiver vaga pela liga, a do título passa a outro clube: em 2026/27, o Aston Villa já estava classificado, e a vaga extra foi do Sporting. O campeão ainda disputa a Supercopa da UEFA contra o vencedor da Champions, e a de 2026 foi Paris Saint-Germain x Aston Villa, em 12 de agosto, em Salzburgo. O campeão da Conference ganha vaga na fase de liga da Europa League e, se também se classificar à Champions pelo campeonato, escolhe em qual das duas jogar. Em 2026/27, cada fase alcançada a partir das oitavas vale pontos extras de coeficiente, que também contam para o país: 1 na Europa League e 0,5 na Conference.
Há também o dinheiro, que se soma fase a fase. A tabela traz os valores fixos de 2026/27, da circular da UEFA de 13 de julho de 2026; a própria entidade os trata como estimativas sujeitas a confirmação. Ficam de fora dois valores que variam de clube para clube: o bônus por fatias da classificação final, de 1 fatia para o 36º a 36 para o 1º, e o pilar de valor.
| Valor fixo por clube em 2026/27, em euros | Europa League | Conference League |
|---|---|---|
| Participação na fase de liga | 4,31 milhões | 3,17 milhões |
| Vitória na fase de liga | 450 mil | 400 mil |
| Empate na fase de liga | 150 mil | 133 mil |
| Terminar do 1º ao 8º, a mais | 600 mil | 400 mil |
| Terminar do 9º ao 16º, a mais | 300 mil | 200 mil |
| Classificação ao playoff do mata-mata | 300 mil | 200 mil |
| Classificação às oitavas | 1,75 milhão | 800 mil |
| Classificação às quartas | 2,5 milhões | 1,3 milhão |
| Classificação à semifinal | 4,2 milhões | 2,5 milhões |
| Classificação à final | 7 milhões | 4 milhões |
| Título | 6 milhões | 3 milhões |
De onde vem o dinheiro, e como ele se divide
A tabela de valores fixos não é o bolo inteiro: é a fatia previsível de um sistema de três pilares que a UEFA usa nas três competições de clubes, com proporções diferentes em cada uma. Da receita líquida disponível para os clubes participantes, a Europa League reserva 27,5% para cota fixa por participação, 37,5% para bônus de desempenho (vitória, empate, classificação de fase) e 35% para o chamado pilar de valor. A Conference reserva 40%, 40% e 20%, na mesma ordem: menos dependente do pilar de valor, mais dividido de forma igual entre os 36 clubes.
Essa diferença de proporção não é acidente, e é onde a Conference cumpre o papel que a UEFA lhe atribuiu na criação, em 2021/22: tornar as competições europeias mais inclusivas. O pilar de valor pesa o mercado de televisão do país do clube e o próprio coeficiente, então pesa a favor de quem já é grande; reservar menos peso a ele na Conference, e mais à cota igual por participação, entrega uma fatia relativamente maior a um clube de mercado pequeno recém-chegado, comparado ao que aconteceria se a Conference usasse a mesma proporção da Europa League.
O bônus por fatias da classificação final, que a tabela de valores fixos deixa de fora por variar clube a clube, tem valor de fatia conhecido e publicado: 75 mil euros por fatia na Europa League, 28 mil na Conference, somando 1 fatia para o 36º colocado da fase de liga até 36 fatias para o 1º. Fazendo a conta do topo: o primeiro colocado da fase de liga da Europa League embolsa 2,7 milhões de euros só nesse bônus, e o da Conference, pouco mais de 1 milhão, além de tudo o que já está na tabela de valores fixos.
O pilar de valor é o mais complexo dos três, e o regulamento o divide numa parte europeia (73% do total, do dinheiro dos mercados de TV dentro da Europa) e numa parte não europeia (27%, do resto do mundo), proporção fixada pelos próprios contratos de transmissão do ciclo. Cada parte também se reparte em fatias, de 1 a 36: a fatia da parte europeia vale 217 mil euros na Europa League e 63 mil na Conference; a da parte não europeia, 80 mil e 23 mil. Um clube que liderasse as duas partes ao mesmo tempo somaria quase 10,7 milhões de euros só de pilar de valor, sem contar cota fixa, bônus de resultado ou o bônus por fatias da classificação.
| Item | Europa League | Conference League |
|---|---|---|
| Divisão da receita: cota fixa / desempenho / pilar de valor | 27,5% / 37,5% / 35% | 40% / 40% / 20% |
| Fatia do bônus de classificação (1ª a 36ª colocação) | 75 mil euros | 28 mil euros |
| Fatia da parte europeia do pilar de valor | 217 mil euros | 63 mil euros |
| Fatia da parte não europeia do pilar de valor | 80 mil euros | 23 mil euros |
| Bolo total repartido a partir da fase de liga em 2026/27 | 565 milhões de euros | 285 milhões de euros |
Fonte de tudo isso é a circular 48/2026 da UEFA, de 13 de julho de 2026, a mesma que já embasava a tabela de valores fixos. Ela reparte um teto bruto de 4,4 bilhões de euros entre as três competições de clubes e a Supercopa, dos quais 74,38% vão para a Champions, 17,02% para a Europa League e 8,60% para a Conference, depois de descontar custo administrativo, repasse a clubes eliminados na pré-eliminatória e um fundo de solidariedade para quem não chegou a lugar nenhum.
O que se ganha ao cair antes da fase de liga
Quem não chega à fase de liga de nenhuma das três competições ainda recebe alguma coisa, e a régua de pagamento é única, calculada pela escala da Conference não importa em qual competição o clube tentava entrar: 175 mil euros fixos por fase de pré-eliminatória disputada, mais um valor de eliminação que sobe conforme a fase, 150 mil na primeira, 350 mil na segunda, 550 mil na terceira e 750 mil no playoff.
Um campeão nacional que fica de fora das três fases de liga ainda recebe 260 mil euros a mais sobre esses valores. E existe um fundo de solidariedade à parte, pago através das associações a clubes que não chegam à fase de liga de nenhuma das três competições: 308 milhões de euros, 7% de tudo o que as três competições e a Supercopa arrecadam.
Da Copa da UEFA à Europa League
Antes de ser Europa League, o torneio era a Copa da UEFA, criada pela entidade em 1971/72 para substituir a Copa das Feiras, que a UEFA não organizava; a contagem oficial de títulos começa ali. Em 1997/98, a final virou jogo único em campo neutro. Com o fim da Recopa após a edição 1998/99, a Copa da UEFA passou a receber os campeões das copas nacionais, e em 2009/10 ganhou o nome atual. Até a edição 2025/26, o maior campeão é o Sevilla, com sete títulos (2006, 2007, 2014, 2015, 2016, 2020 e 2023), e depois vêm Inter, Liverpool, Juventus, Atlético de Madrid e Tottenham, com três cada. A Conference estreou em 2021/22 para tornar as competições da UEFA mais inclusivas, nas palavras da entidade, e teve um campeão diferente em cada uma das cinco primeiras edições: Roma, West Ham, Olympiacos, Chelsea e Crystal Palace.
Vale um parêntese sobre o próprio troféu: a taça da Europa League é a mais pesada de toda a prataria da UEFA, 15 quilos de prata, bem mais pesada que a taça da Champions. A da Conference, criada do zero para a competição em 2021/22, não carrega peso histórico nenhum, mas já tem cinco donos diferentes em cinco edições, o tipo de imprevisibilidade que falta às duas competições mais antigas.
Três mal-entendidos persistem. O primeiro é achar que os dois títulos levam à Champions: só o da Europa League dá vaga nela, e o da Conference leva à Europa League. O segundo é o velho paraquedas. Até 2023/24, os terceiros colocados dos grupos da Champions caíam para a Europa League, e os da Europa League, para a Conference. Na fase de liga, quem é eliminado está fora, e a queda ficou só para quem perde nas pré-eliminatórias. O terceiro é o gol fora de casa. A regra que desempatava os confrontos de ida e volta pelos gols marcados fora foi abolida pela UEFA em junho de 2021, a partir das pré-eliminatórias de 2021/22. Na tabela da fase de liga de 2026/27, porém, os gols marcados fora ainda são o terceiro critério de desempate.
O que vale mais para um clube fora da elite?
Este guia dizia que, a partir das oitavas, os confrontos eram em dois jogos; na verdade, a final é jogo único. O texto também apresentava as duas competições como atalho para a Champions, quando só o título da Europa League leva até lá. E dizia que o gol fora de casa tinha sido abolido em 2021 e que empatar fora não dava mais nenhum bônus. O que caiu foi a regra do gol fora nos confrontos de ida e volta, e na tabela da fase de liga de 2026/27 os gols marcados fora ainda desempatam.
Leia também
Liga Europa · Tabela
| Posição | Time | Jogos | Vitórias | Empates | Derrotas | Saldo de gols | Pontos | Últimos 5 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1, Oitavas de final | 1 | 1 | 0 | 0 | +5 | 3 | ||
| 2, Oitavas de final | 1 | 1 | 0 | 0 | +4 | 3 | ||
| 3, Oitavas de final | 1 | 1 | 0 | 0 | +3 | 3 | ||
| 4, Oitavas de final | 1 | 1 | 0 | 0 | +3 | 3 | ||
| 5, Oitavas de final | 1 | 1 | 0 | 0 | +3 | 3 | ||
| 6, Oitavas de final | 1 | 1 | 0 | 0 | +2 | 3 | ||
| 7, Oitavas de final | 1 | 1 | 0 | 0 | +2 | 3 | ||
| 8, Oitavas de final | 1 | 1 | 0 | 0 | +2 | 3 |
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 16: draw system, league phase (abre em nova aba)
- UEFA: UECL Regulations 2026/27, Article 17: match system, league phase (abre em nova aba)
- UEFA: UCL Regulations 2026/27, Article 3: entries for the competition (abre em nova aba)
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 3: entries for the competition (abre em nova aba)
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 17: match system, league phase (abre em nova aba)
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 18: equality of points, league phase (abre em nova aba)
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 19: draw system, knockout phase (abre em nova aba)
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 20: match system, knockout phase (abre em nova aba)
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 21: knockout system, extra time and penalty shoot-outs (abre em nova aba)
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 22: match system, final (abre em nova aba)
- UEFA: UEL Regulations 2026/27, Article 23: match dates and fixtures (abre em nova aba)
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Perguntas frequentes
- O campeão da Europa League vai para a Champions?
- Sim. O campeão da Europa League tem vaga garantida na fase de liga da Champions da temporada seguinte, mesmo sem se classificar pelo campeonato. Se ele já tiver a vaga pela liga, a extra passa a outro clube: em 2026/27, foi o Sporting, porque o Aston Villa já estava classificado.
- O que ganha o campeão da Conference League?
- Vaga na fase de liga da Europa League da temporada seguinte. Se também se classificar à Champions pelo campeonato, o campeão escolhe em qual das duas jogar. Em 2026/27, o título vale 3 milhões de euros a mais para o clube, e cada fase a partir das oitavas dá 0,5 ponto extra de coeficiente, que também conta para o país.
- Quantos jogos tem a fase de liga de cada competição?
- Na Europa League são oito partidas, quatro em casa e quatro fora. Na Conference League são seis, três em casa e três como visitante, antes do início do mata-mata.
- Quanto a UEFA paga ao campeão da Europa League?
- Os valores fixos se somam fase a fase. Em 2026/27, o título vale 6 milhões de euros a mais, além de 7 milhões pela classificação à final, 4,2 milhões pela semifinal, 2,5 milhões pelas quartas e 1,75 milhão pelas oitavas. Entram ainda na conta participação, vitórias, empates, bônus por fatias da classificação e pilar de valor.
- Quando e onde é a final da Europa League de 2027?
- Na quarta-feira, 26 de maio de 2027, no Stadion Frankfurt, na Alemanha, em jogo único. A final da Conference League de 2027 é uma semana depois, na quarta-feira, 2 de junho, no Beşiktaş Stadium, em Istambul.






